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Jorge Calero é um artista plastico nascido na Colõmbia que encontrou em Portugal um lugar ideal para desenvolver a sua creatividade sem que a sua alma não tenha nunca deixado a  terra natal,a qual continua a ser motivo de inspiração,com as suas paisagens encantadores e o seu povo alegre.

Nas suas paisagens de florestas as tonalidades saofrequentemente altas mas nunca arbitrarias,assistimos a verdadeiros estudos que procuram desvendar o secreto dos subtis limites entre a luz e a côr e,entre esta e a Forma.

Seus quadros abstractos estão cruzados por ritmos multi-direccionais cheios De poder emocional que conducem ao espectador a ideia do maravilloso,reproduzindo um sentimento que só experimentamos perante os fenomenos mais asombrossos da natureza…….


 

O espiritual sobre o real - pinturas de Jorge Calero

ada existe superior á imaginação do artista para recriar os elementos da natureza em composições que parecem saídas das mãos de um deus repentinamente embriagado pela alegria de viver em beleza.   

Flores e frutos, folhagens e insectos, dispõem-se em amálgama visual de belíssimos matrizes, e não menos bela imagística estelar.

Quadros que são expressões espirituais de uma índole poética, de um sonhador da beleza romântica, do espírito, e que nada tendo de vulgar, se configuram como naturezas mortas de um mundo a recriar, para enlevo dos olhos e pacificação da alma. Nesta pintura não existe senão optimismo estético que recorre à arte para se exprimir pelo elogio da paz e do amor que o mundo nos ofereçe quando o pretendemos viver sobre potências positivas, que são as das melhores qualidades humanas tantas vezes desrespeitadas.

ANABELA PAÚL

 

Histórias intermináveis do nevoeiro e do êxtase primaverial sobre o vazio disponível de uma tela. Recados de um lugar que não existe cercado de ventos impossíveis onde a luta do diario viver torna o drama alegoria lirica, contentamento pele gratuita presença, o milagre efémero, a revelação da imutável realidade que sacode todo o vivo.

ALDA CRAVO SAUDE

 

O sentido metafisico da natureza na pintura de Jorge Calero

É possivel falar, em pintura , num sentido metafisico, pois toda a  arte compreende uma  transcendencia. O pintor , como todo o grande criador, procura ultrapassar , pelo menos duas metas: Aquela que diz respeito á contingância  do tempo e, por outro lado, aquela que diz respeito  à imanência do homem no universo: Um homem frágil , submisso diante de uma natureza que o esmaga. E não è em vão que falamos em natureza (  aquela que o nosso humanista   DUARTE PACHECO PEREIRA dizia ser a “ madre de todas as cousas” ), pois è nela  e por ela que Jorge Calero exorcisa ,  se assim podemos dizer , a  sua obra pictòrica.

Ao olhar do contemplador mais sensivel , a natureza  è , na arte de  Calero, uma força  autónoma , grandiosa  no seu esplendor polìcromo, infinita nas suas motivações  plásticas. Na  verdade , a natureza não é apenas um motivo plástico, é, sobretudo  o verdadeiro rosto de uma transcendencia, como se Calero, na sua mais intima mensagem nos quisesse transmitir uma ideologia panteísta: deus está aí , escondido por entre a folhagem, absorto na  sua transcendencia, refractado no olhar fixo de um passaro tropical. É frequente o motivo dos pássaros na pintura de Calero, seres que se apresentam diante de nós na sua dignidade natural, criaturas de um deus maior,talvez elas próprias ,deuses na sua configuração mais humilde de modo a não chocar com a grandiosidade da terra.

Uma das características imediatas na pintura de Calero é o seu é o seu tropicalismo . Ele detecta-se, por um lado, justamente através da fauna, marcante trópical , que frequentemente retrata , e, por outro, através   da profusão da côr,  que  se assemelha a um festival de exuberância e de movimento.

Não podemos afastar a obra pictórica  das origens culturais do artista. Proveniente de um país colorido por excelência , povoado de animais exóticos , quente como as cores do verão, verde como o grande jardim do Éden ,  eis que o pintor assume e recria essa paisagem; ao recria-la ,apropria-se dela, é um outro mundo que nos leva a conhecer . É nessa medida que a natureza, em Calero , também pode ser compreendida e assimilada como uma paisagem interior, pois esse tropicalismo, que é real e anímico , reveste-se de uma outra  autenticidade quando filtrado pelo espírito criador . Dessa forma ,a arte cumpre uma das suas funções primordiais: permite prolongar a face do universo, tornando-o  extensivo ao espírito humano, talvez a paisagem mais misteriosa , porque mais imprevisível.  A arte , toda a arte , é, na sua essência, improvisto ( e improvista), pois  possui a capacidade de nos surpreender a cada passo. Essa  imprevisibilidade , também presente na arte de Calero, nada tem a ver com a ideia de armadilha; é uma  imprevisibilidade  que nos é grata até ao fim.  De facto, o mundo é um vasto fresco que o pintor conclui como se estivesse (e está) na posse do sopro divino. Essa força natural de que acima falávamos , não reside apenas na figuração da paisagem natural. A circunstancia que lhe confere esse sentido metafisico não reside em qualquer limite geográfico que possamos imaginar , mas sim na própria dimenção humana que aí se  manifesta de modo subtil.

Toda a paisagem é transfigurada pelo olhar humano; ela aí está , plena na dimenção natural ,mas está  aí porque foi vista , em primeiro lugar , pelo seu criador e é através desse olhar inicial que todo o homem se  permite igualmente  contemplar : todos nós olhamos á medida de Deus . Contemplar o mundo é também transfigurá-lo; é imprimir-lhe a nossa medida, seja ela qual for. É por isso que o gesto iniciático , pois procura ascender á verdade daquilo que se deseja por autêntico. Assim , numa paisagem natural, mesmo exuberante como as paisagens de Jorge Calero, a presença do homem  surge sempre em primeiro lugar, pois é todo um imaginário que se manifesta e se revela.

Podemos encontrar na obra pictórica de Jorge Calero duas fases bem marcadas que, apesar de  deferentes acabam por aproximar-se.  No que respeita á primeira , ( e que o inicio da carreira do pintor vem confirmar) são visíveis as paisagens de influência lunar e, com     elas , as imagens de influência apocalíptica. É a patir desta fase que se irá  formar a tendência fantastica que virá caracterizar a sua pintura em termos gerais. Assim,  são visíveis  longos desertos semeados  de crateras , com fogos-fátuos e clarões avermelhados á distância , vulcões expelem substâncias incandescentes . No longo espaço sideral explodem nebulosas de brilho irradiante. A alusão á via-láctea repete-se, sempre em modalidades diferentes . Impera o vermelho, coloração que lhe confere o sentido  apocalíptico.

É uma visão simultaneamente de catrástrofe, de catarse , de purificação total e de uma admirável beleza plástica . Sobreleva  a presença do fantástico , pois é todo um universo irreal e metafórico onde se reflecte , uma vez mais , o espirito do artista . todo o fantástico ascende igualmente ao metafísico : irrompe do interior para o exterior . verifica-se a exuberância  da cor, circunstância sempre motivada pelo tropicalismo do pintor . devido , uma vez mais  , a essa dimensão metafísica , não podemos considerar a tendência fantástica  do autor apenas como irreal , pois tal  visão seria redutora.trata-se , na verdade , de uma realidade que o persegue desde o momento em que toma consciência desse poder genesíaco  que se sente motivado para materializar ideias .

Dir-se-ia  que esse poder é quase exterior ao artista ; que ele é apenas um agente que lhe dá vida .

No que respeita á Segunda fase , que é aquela que mais directamente revela o tropicalismo do autor , mantém-se esse mesmo poder: o pintor é um agente cultural , pois difunde e recria toda uma tradição ligada á cor , á sua exuberância semiótica : é uma fase que nos revela  plenitude existencial , paz esmagadora , harmonia da natureza e , acima de tudo , uma ilimitada sedução.  É a pujança da vegetação , cuja verdura oferece  tons variados, é a vida que se esconde por entre os escombros nocturnos, é a dicotomia do claro-escuro dos grandes espaços, é a sobreposição da cor , sempre em movimento constante, é a quase obsessão do azul que anuncia os espaços siderais da primeira fase, é o ocre terroso dos desertos onde habitam  animais estranhos ao olhar ocidental e é , em suma , a  recriação de um universo onde só o homem tem lugar.

O que nos fica , após a observação demorada da pintura de Jorge Calero , é a impressão de que a vida é cor e que a cor é , se dúvida , a essência da vida , pois é ela que dá sentido ao universo .

O olhar de Deus é , para sempre , um olhar colorido.

JOSE FERNANDO TAVARES 

 

Entre um certo realismo-fantástico e um novo barroco  que se afirma especialmente pela profusão de elementos e formas que um colorido exuberante enriquece, quase fazendo entontecer o espectador, Jorge Calero prosegue uma carreira profissional que se alicerça numa labor oficial intensa,  nutrida profundamente pelas suas raízes culturais.

Utilizando formas naturalistas que vai organizando em composicões frenéticas de imaginação,onde cabem todas as musucas do silencio,o artista acaba por não cair no chamado erudito ingénuo ou falso “naif”, ao desmarcar o festival de cores com tonalidades frias. O resultado é a sedução  pela sua qualidade táctil e pela vibração da cor.

Pintura feita de memórias, desafiando os limites da imaginação, uma imaginaçao como o sol que brilha no seu país e ilumina com poder e vida o seu trabalho de criador.

RODRIGUES VAZ